As faces do jornalismo de moda

Leusa Araújo: “Minha grande questão com a moda sempre foi a pesquisa e uma pergunta maior sobre o corpo”

Leusa Araújo: “Minha grande questão com a moda sempre foi a pesquisa e uma pergunta maior sobre o corpo”

“A minha grande questão com a moda sempre foi a pesquisa e uma pergunta maior sobre o corpo” , conta a jornalista Leusa Araújo

Por Juliana Garcez

No dia 11 de maio, Leusa Araújo esteve com participantes da pós graduação de Comunicação de Moda no Centro Universitário Belas Artes. O bate papo agradável gerou algumas memórias a Leusa, que relatou aos estudantes alguns detalhes da sua trajetória profissional e de como migrou do jornalismo de moda para teledramaturgia.

Sua trajetória na moda inclui a revista Moda Brasil. “Era um período no qual não havia jornalistas especializados em moda, os veículos eram conduzidos por pessoas antenadas nesse território”, recorda Leusa. Segundo ela, os profissionais não tinham experiências textuais, foi onde ela se destacou, e deu início a sua carreira no universo fashion.

Depois esteve ao lado de Gloria Kalil, no Chic. Leusa também é autora de alguns livros como A cabeleira de Berenice, indicada para o Prêmio Jabuti na categoria Melhor JuvenilTatuagem, piercing e outras mensagens do corpo, que também é premiado, e, em 2012, lançou o Livro do Cabelo. Hoje, atua como pesquisadora no núcleo de teledramaturgia na Rede Globo.

“Minha grande questão com a moda sempre foi a pesquisa e uma pergunta maior sobre o corpo”, diz a jornalista. Ela explica que o corpo é um tabu tão grande que é marginalizado no campo do conhecimento. “Mas é um terreno fértil para um jornalista entrar”, diz, e foi o que a incentivou para o processo de captação de dados para o livro Tatuagem, piercing e outras mensagens do corpo.

No encontro realizado na Belas Artes, Leusa Araújo lembrou-se da época em que estava na faculdade, e de seus mestres, que já se recordavam com nostalgia da forma pela qual era feito o jornalismo. “Buscava-se informações nas ruas, com papel e caneta na mão”, acrescenta. O jornalismo está em movimento, na visão da pesquisadora, e, para ela, há outras maneiras de trazer a informação, com mais embasamento, e mais profundidade. O advento da tecnologia colabora para isso, em âmbitos de facilidade para encontrar fontes e conteúdo para a construção de uma reportagem. “O Livro do Cabelo, por exemplo, é resultado de seis anos de pesquisa”. A autora destaca que época era muito difícil de se chegar até os dados para o desenvolvimento do conteúdo. “Hoje esse cenário mudou. Em apenas em um clique na internet é possível conseguir resultados na hora”, conta.

Sua migração para teledramaturgia foi em 2011. Leusa sempre gostou de fazer indagações sobre todos os assuntos em que trabalha, o que facilitou a inserção no núcleo de pesquisa dos personagens para as novelas da Rede Globo. “Eu sempre pesquisei para realizar meus livros, mesmo que fosse para jogar fora depois e não usar”, acrescenta ela.

No mesmo período em que entrou na emissora, a jornalista lançou um livro de contos. Um dos personagens era a filha da lavadeira e foi essa esfera suburbana que contribuiu para toda a pesquisa na criação da personagem Cida, a Empreguete da novela Cheias de Chame, exibida em 2012 pela Globo. A trama alcançou recordes de audiência para o horário, e Leusa estava ali atuando como pesquisadora.

Ela explica que na teledramaturgia o método utilizado para dar vida ao personagem é o mesmo para o desenvolvimento de uma reportagem. É necessário buscar informações através de fontes, que se tornam referências e inspirações. Entrevistar pessoas com os mesmos traços do personagem, segundo Leusa, é algo enriquecedor para a construção da identidade do mesmo, já que são dados que dizem respeito a características físicas e comportamentais, rotina e vestimenta ou mesmo profissão.

Uma particularidade da pesquisa na teledramaturgia que difere de uma matéria jornalística diz respeito à percepção do pesquisador durante essa tarefa. Leusa Araújo alerta para o risco do anacronismo e dos clichês. “É preciso ser o mais verossímil possível, conseguir sincronizar o personagem com a vida real”. Atualmente, ela se prepara para a próxima temporada de Malhação que irá ao ar em 2017.

 

 

 

 

 

 

 

 

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