Desfile: o que foi, o que é e pra onde deve ir | Um bate-papo com André do Val

andre do valPor Larissa Rehem

Se antes os desfiles existiam para mostrar aos compradores as peças disponíveis para cada estação, atualmente a passarela se tornou um “momento apoteótico, o espetáculo na sua melhor forma”, afirma André do Val. Aquele encontro entre o costureiro e as clientes continua existindo, porém em outros moldes.

Entre tantos itens avaliados, a escolha da modelo é fundamental, pois  muitas delas são celebridades, graças a Gisele Bündchen. “Ela fez a transição de modelo para celebridade, afinal a modelo era apenas um cabide, apenas desfilava as roupas”, diz do Val.

Magazines, multimarcas e monomarcas fizeram adaptações para ter desfiles e apresentar as coleções. A roupa ainda é analisada, mas ela faz parte de algo muito maior.

Em muitas dessas ocasiões, há mais formadores de opinião do que os próprios compradores, pois os influentes da mídia levam a milhares de pessoas a informação do desfile. Fala-se sobre a roupa, mas fala-se também sobre a trilha sonora, o espaço do desfile, quem estava presente, quem abriu e quem encerrou o show.

Esse fenômeno, aliás, associado a avanços tecnológicos, tem feito com que o público “não veja” o desfile. Explica-se: todos estão mais preocupados em fotografar e produzir imagens – estáticas ou em movimento – para compartilhar na rede do que contemplar a cena. “Quem fica no backstage antes sabia que o desfile havia acabado pelos aplausos. O que atualmente não é mais possível saber, pois tá todo mundo querendo fazer um monte de snapchat da fila final”, afirma André.

Essas mudanças mostram que a sociedade anseia por consumir informações cada vez mais rápido. Já que nem todos podem estar no desfile, vamos salvar e compartilhar fotos e vídeos de tudo para que todos vejam instantaneamente, no momento em que o show ocorre.

Essa rapidez está colocando em xeque a passarela. A onda do see now, buy now tem feito muitos questionarem a respeito do futuro do desfile e das marcas. Mas o que é esse novo modelo? André do Val explica: “A roupa da Prada demora quase um ano para chegar à loja – desde seu desenvolvimento, passando pela produção, até ficar pronta para ser vendida. Nesse meio tempo, a H&M lança uma coleção, super parecida, um mês depois do desfile da Prada. Por isso as marcas vão realizar a apresentação mais próximo da data de lançamento na loja”

Sendo assim, as grifes correm riscos de terem peças encalhadas e falta de aceitação do consumidor, pois “a Burberry, por exemplo, vai fazer um desfile com toda a coleção pronta, sem saber o que os clientes vão querer comprar. E eles estão se propondo a não ter mais o termômetro que mede o quanto de peça eles devem fazer. Ou seja, o desfile vai acontecer e em seguida já se vai poder comprar as roupas”, explica André do Val.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s